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22 Jan 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Edite Estrela

Opinião

AUTOR

José Azevedo Assis

DATA

23.07.2015

TÓPICOS

O caminho é o federalismo

Após décadas de avanços, recuos e hesitações, a construção europeia chegou a uma encruzilhada que pode ser uma oportunidade para dar um passo virtuoso em frente, recentrando-se no seu essencial, enquanto plano de paz e de solidariedade concreta entre Povos.

Na verdade,  em todo o processo de paz que é a Europa unida, sonhada e executada pelos seus pais fundadores, o fito imediato foi sempre o da Europa unida por um poder político, que apesar de comum e partilhado,incluindo uma moeda comum, não violava o conceito de soberania dos Estados-membros, tal como esse conceito hoje é reconhecido num quadro de globalização.

A união monetária atual, crua e dura, é uma lateralidade a todo esse processo.

Uma lateralidade porque, por um lado, emergiu extemporaneamente afastando, ao mesmo tempo, o objetivo principal e , assim, provocando a perturbação do processo, agora materializada com o caso grego que, aliás, não é da exclusiva responsabilidade da Grécia e, por outro, em consequência dessa extemporaneidade, deslocou o debate e a ação para a lógica monetária e financeira em detrimento do primado da construção política.

Com o alfa e o ómega na união monetária, a União Europeia caiu no embuste dos adversários do euro, os mesmos que, agora, interna e externamente apoiaram o vitorioso "não" no referendo grego.

O referendo grego e o seu resultado, sendo um reforço formal da democracia na Grécia, não beliscou o processo inverso e perigoso que corre na Europa, com o primado das relações financeiras. Foi, sim, um mero incidente, em todo este processo diabolizado, que expressa a confusa linha política que se reparte pela Europa, designadamente quanto ao futuro de paz no velho continente.

O caminho percorrido pela União Europeia é tendencialmente irreversível quanto a uma verdadeira União e só terá recuo definitivo se os dirigentes políticos, na Europa e nos seus países, continuarem com a falta de coragem de concretizar o caminho de sempre: o federalismo europeu.

Esta oportunidade para repensar o caminho não pode ser desaproveitada. A Grécia está aqui perto e pode ir para mais longe se a Europa não se decidir.

 

AUTOR

José Azevedo Assis

DATA

23.07.2015

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EDIÇÃO Nº1411
Maio 2018