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16 Out 2018

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Edite Estrela

Opinião

AUTOR

Rui Cerdeira Branco

DATA

28.09.2015

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Governar

PSD e CDS avançam com o fim dos tempos se não existir uma maioria absoluta (deles), tudo porque o PS já afirmou que não viabilizará um governo da direita. Na realidade, tudo serve para tentar o velho truque dos nós ou o caos ao ponto de se ultrapassarem os limites do absurdo.

 

À segunda, quarta e sexta, o PS é acusado de ser ultraliberal, acusação justificada por uma interpretação fantasiosa das propostas do PS para a Segurança Social. Às terças, quintas e sábados, o PS é a reencarnação do SYRIZA (o mau), que irá governar seguindo uma cartilha  ditada pela CDU e pelo Bloco de Esquerda. A PAF dispara em todos os sentidos procurando arregimentar os últimos ingénuos e ignorantes para as suas hostes. Diria que tem os portugueses em muito fraca conta!

Curiosamente ainda ninguém se lembrou de perguntar ao PSD e ao CDS o que farão se o PS tiver maioria relativa, um cenário tão provável como qualquer outro, como podemos atestar pelas sondagens e pelos os níveis de indecisão persistentes.

Por outro lado, a CDU diz que não há risco de instabilidade nesse cenário porque o PS sempre se soube aliar à direita para governar o país. O BE não anda muito longe do mesmo registo. O costume. É preciso continuarem a assegurar a sua pureza que acaba sempre por ser instrumental à direita, conferindo-lhe uma expressão de poder acima do que habitualmente lhe é atribuída pelo eleitorado. Mas nada disto é verdadeiramente novo e não é preciso inventar a pólvora para encontrar um caminho. O ideal será sempre o da maioria absoluta para o PS, naturalmente. 

Mas também me recordo de que apenas por três vezes houve maiorias absolutas de um único partido em Portugal e já vamos em 13 sufrágios desde 1975. Recordo-me também que o PS foi, até hoje, o primeiro e único partido que, sem maioria absoluta no Parlamento, completou uma legislatura. Um governo do qual fez parte o atual secretário-geral. 

Fora do Parlamento, os pergaminhos são igualmente claros em vários dos principais municípios do país. Foi e é assim em Lisboa, é assim no Porto para citar casos bem recentes. 

O PS procura e encontra entendimentos à sua esquerda e à sua direita, dos mais formais aos mais pontuais, e assim continuará a fazer, concertando posições, defendendo sempre o interesse do país.

Para assegurar a governabilidade em Portugal, o problema não está, nem nunca esteve no PS. E não estará novamente depois do dia 5 de outubro seja qual for o resultado eleitoral.

Nestas eleições só vai ao engano quem quer. Está já tudo completamente cristalino também graças à frontalidade do PS.

AUTOR

Rui Cerdeira Branco

DATA

28.09.2015

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EDIÇÃO Nº1411
Maio 2018