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31 Jul 2019

| diretora: Edite Estrela

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José Fonseca e Costa
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02.11.2015

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José Fonseca e Costa

ZETO, O BOM DA FITA

Herdei do meu pai a amizade com o José Fonseca e Costa. Amizade difícil, porque um dos encantos do Zeto era a teimosa exigência, tantas vezes expressa com uma acidez que nos divertia sobre terceiros e que tanto magoava quando nos atingia ou a quem estimamos.

Lisboa foi um amor comum, que filmou notavelmente e recriou no tempo com “Kilas, o Mau da Fita” ou “Sem Sombra de Pecado” e que fixou definitivamente quando transpôs para o cinema nos “Mistérios de Lisboa”, o guia da cidade que Fernando Pessoa nos legou.

A sua Rua Nova do Loureiro, que diariamente percorri a caminho da escola, guardá-lo-á na memória do tempo que passou, como o cheiro da velha torrefação ou as ramadas do arvoredo na Quinta dos Inglesinhos. Também o seu desaparecimento do nosso convívio nos deixa tristes e estou certo de que a nossa ausência do seu novo quotidiano o indignará! A nossa vantagem é que continuaremos a ver os filmes que deixou vivos e que em cada fotograma nos avivará a saudade.

António Costa

 

Nascido em Angola, a 27 de junho de 1933, José Fonseca e Costa mudou-se para Lisboa em 1945. Opositor à ditadura, esteve preso pela PIDE e foi impedido de ingressar nos quadros da RTP, apesar de ter ficado classificado em primeiro lugar no concurso para assistente de realização.

Iniciou a sua formação cinematográfica em Itália, onde trabalhou com Michelangelo Antonioni, regressando a Portugal em 1964, produzindo e dirigindo centenas de filmes publicitários e documentários.

Um dos cineastas do movimento do Novo Cinema em Portugal, a sua carreira fica marcada por filmes como “O Recado” (1972), “Os Demónios de Alcácer Quibir” (1977), “Kilas, o Mau da Fita” (1981), “Sem Sombra de Pecado” (1983), “Balada da Praia dos Cães” (1986), “Cinco Dias, Cinco Noites” (1996) e “Os Mistérios de Lisboa” (2009), uma homenagem a Fernando Pessoa.

Sócio fundador e dirigente do Centro Português de Cinema e da Associação de Realizadores de Cinema e Audiovisuais, foi agraciado, em 2014, com o prémio de carreira da Academia Portuguesa de Cinema.

Trabalhava na sua última obra, baseada num conto do escritor Ruben da Fonseca, quando nos deixou, este domingo. Contava 82 anos.

O Secretário-geral do PS, António Costa, e o Partido Socialista manifestam o seu profundo pesar, endereçando sentidas condolências à família e amigos.

 

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PS

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02.11.2015

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EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019