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09 Dez 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Homenagem
Etelvina Lopes de Almeida
AUTOR

Partido Socialista

DATA

23.11.2015

FOTOGRAFIA

Partido Socialista

Etelvina Lopes de Almeida

A Fundação Mário Soares (FMS) foi palco, na passada quinta-feira, de uma sessão de homenagem a Etelvina Lopes de Almeida, jornalista, escritora, política e deputada. “Uma combatente das causas da democracia e da igualdade”, como destacou Edite Estrela, uma das oradoras na sessão, referindo uma personalidade singular que permite evocar “o papel da mulher na República e no Estado Novo”.

 

Com a presença de Mário Soares e António Almeida Santos, assim como do historiador e investigador João Gomes Esteves, outro dos oradores intervenientes, a sessão, inserida no ciclo ‘Vidas com Sentido’ que a FMS tem vindo a promover, homenageou uma “mulher singular” e “uma combatente das causas da democracia e da igualdade, tendo participado ativamente na luta cívica ao lado de Maria Lamas e em várias organizações de mulheres”, salientando-se a sua adesão, em 1947, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Etelvina Lopes de Almeida iniciou a sua atividade política no tempo da ditadura, participando nas campanhas de Norton de Matos e de Humberto Delgado, e integrando, em 1969, a lista de candidatos a deputados pela CEUD (Comissão Eleitoral de Unidade Democrática).

Depois da Revolução, aderiu ao PS, sendo deputada à Assembleia Constituinte (1975-76) e à Assembleia da República (em 1976 e 1978) pelo círculo eleitoral de Évora, altura em que partilhou a bancada parlamentar com Maria de Jesus Barroso.

Evocando este período, Edite Estrela partilhou uma curiosa leitura dos diários das sessões da Assembleia Constituinte, destacando uma intervenção em plenário, onde, a propósito de um comunicado da Juventude Social-Democrática da Madeira, Etelvina Lopes de Almeida, “antifascista desde os 16 anos”, afirma que sendo “socialista, não é anticomunista, como os melhores comunistas nunca serão antissocialistas”. Uma afirmação que, como salientou Edite Estrela, ganha uma pertinência e uma clarividência muito interessantes, tendo em conta o contexto político que o país hoje vive.

Escolhida, em 1993, para presidir em Estrasburgo a uma sessão do Parlamento Europeu para os idosos, durante a qual foi aprovada a Carta Europeia para os Idosos, Etelvina Lopes de Almeida viria a ser agraciada, dois anos mais tarde, com a Comenda da Ordem de Mérito, atribuída pelo então Presidente da República, Mário Soares.

No princípio do século XX, poucas mulheres conseguiam escapar ao determinismo da época e da família e desenhar o seu próprio caminho. Etelvina foi uma dessas raras mulheres.

“Como afirma o pessoano heterónimo, entre «uma e outra coisa» todos os dias foram dela. Poucas pessoas poderão como ela afirmar, quase no fim da vida, «não lamento nada do que me aconteceu»”, evocou Edite Estrela.

 

AUTOR

Partido Socialista

DATA

23.11.2015

Capa Edição Papel
 
EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019