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16 Set 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Augusto Santos Silva
Sabedoria política permite aos partidos da maioria manterem identidade própria em matéria europeia

Sabedoria política permite aos partidos da maioria manterem identidade própria em matéria europeia

O acordo que o PS e o PCP estabeleceram não exige que nenhum dos partidos altere as suas posições em relação à Europa, nomeadamente sobre a renegociação da dívida, defendeu hoje o ministro Augusto Santos Silva, reagindo às declarações proferidas pelo líder comunista.

 

O ministro dos Negócios Estrangeiros voltou hoje a relembrar que o acordo político, que socialistas e comunistas estabeleceram de apoio parlamentar ao Governo, não “exige” que socialistas e comunistas abdiquem das suas posições próprias em relação à Europa, garantindo que para o PS “não há um problema com a dívida portuguesa”, mas sim, e sobretudo, com o “excessivo endividamento” do conjunto da zona euro.

O titular da pasta dos Negócios Estrangeiros reagiu assim às declarações do líder do PCP, que no congresso deste fim-de-semana defendeu, por mais de uma vez, a necessidade de Portugal renegociar junto das instâncias europeias a sua dívida, tese que Augusto Santos Silva recorda não ser coincidente com a do PS, lembrando, contudo, que a posição do PCP sobre esta matéria “há muito que é conhecida”.

Para Santos Silva foi a “sabedoria política” demonstrada pelo primeiro-ministro, António Costa, que permitiu “construir uma solução de apoio parlamentar” ao atual Governo, “que é estável” e que permite que partidos políticos que têm opiniões diferentes em alguns pontos essenciais, designadamente em relação às questões europeias, “se continuem a “entender e a viabilizar uma política de reposição de rendimentos e de regresso à normalidade constitucional” não deixando de assumir os “compromissos necessários do ponto de vista orçamental”.

Hoje, garante Augusto Santos Silva, “ninguém duvida”, dentro e fora de Portugal, que o primeiro-ministro António Costa lidera um Governo democrático, responsável e amplamente comprometido com os valores europeus, focado no emprego, no crescimento económico de Portugal e na igualdade social.

 

Completar a união económica e monetária

Reafirmando que a dívida portuguesa não deve, nem pode, ser analisada e resolvida de forma unilateral, como defendem os partidos à esquerda do PS, mas enquadrada numa discussão mais vasta no quadro do excessivo endividamento do conjunto da zona euro, havendo para isso, a este propósito, na perspetiva do ministro português, a absoluta necessidade de a zona euro “completar a união económica e monetária” de forma a ficar menos “dependente dos humores circunstanciais dos mercados”, dando como exemplo a reação que os mercados tiveram após o referendo de ontem em Itália.

Não deixando de considerar os mercados financeiros como “muito importantes”, Augusto Santos Silva lembra, contudo, que eles “não são o poder nos nossos países” e que a Europa tem de “acabar o que começou”, completando, “quanto antes”, a união económica e monetária, o que implica “concluir a união bancária”, designadamente “no seguro europeu de depósitos”, para além da necessidade de dotar a zona euro de uma capacidade orçamental própria e de instrumentos de apoio público ao investimento e à economia.

Para Augusto Santos Silva o princípio que deve vigorar, e que “todos na zona euro” têm de ter presente, é que numa democracia o “poder político prevalece sobre o poder económico”.

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EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019