990

24 Maio 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Matosinhos
António Costa inaugura Casa da Arquitetura
AUTOR

Rui Solano de Almeida

DATA

16.11.2017

FOTOGRAFIA

dr

António Costa inaugura Casa da Arquitetura

É essencial preservar a competência que a lei atualmente “circunscreve aos arquitetos” de serem os únicos a poderem assinar projetos de arquitectura, destacou ontem em Matosinhos, o primeiro-ministro.

 

De visita à Casa da Arquitetura, em Matosinhos, distrito do Porto, em véspera da abertura ao público deste equipamento, instalado no antigo edifício da Real Vinícola, abandonado durante décadas e que a edilidade adquiriu e reabilitou em 2009, num investimento total de dez milhões de euros, o primeiro-ministro, depois de enaltecer a iniciativa, considerando-a como um “projeto extraordinário para o país”, elogiou o trabalho desenvolvido pela autarquia, afirmando que este equipamento tinha nascido num dos concelhos do país que “melhor soube compreender a capacidade única da arquitetura para transformar o território”.

António Costa foi mesmo mais longe afirmando que não há outro município no país onde a arquitetura tenha sido tão marcante e olhada com tanta atenção como em Matosinhos, lembrando que este é um concelho que soube sempre compreender a capacidade única da arquitetura, não só de mudar o território, mas ao fazê-lo, como realçou, de “transformar a vida das pessoas”.

Recordando que a Casa da Arquitetura é um projeto concebido e desenvolvido pela Câmara Municipal, o que mostra que as autarquias “têm uma visão aberta e rasgada ao mundo”, o primeiro-ministro elogiou o papel do município que “tem dado uma grande lição” aos que pensam e defendem que as autarquias têm apenas uma visão “paroquial do seu território e da sua função”.

 

Mudar a legislação

Depois de manifestar satisfação por a Direção Geral do Património Cultural ter já assinado um protocolo de colaboração com a Casa da Arquitetura, António Costa reagiu aos que reivindicam alterações à legislação que estabelece que só os arquitetos têm competência legal para assinar projetos de arquitetura, afirmando-se “arrepiado” quando lhe falam em alterações legislativas nesta matéria.

“Fico sempre arrepiado quando ouço que se quer alterar novamente a legislação para retroceder relativamente a um dos maiores ganhos civilizacionais que o país teve nos últimos anos”, afirmou o primeiro-ministro, defendendo ter sido um passo muito positivo ao ter-se consagrado que os projetos de arquitetura são da competência exclusiva dos arquitetos e que a mais nenhuma profissão, por muito útil que seja à construção, possa “substitui a mão, o desenho e o saber único que só um arquiteto sabe ter”.

O primeiro-ministro teve ainda ocasião, na sua intervenção, para lembrar, por um lado, que foi o ex-presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Guilherme Pinto, falecido em janeiro passado, que lhe endereçou o convite para conhecer o projeto quando estava ainda em obra, e, por outro, de defender que a arquitetura portuguesa “tem sido uma grande oportunidade para o país”, desde logo, como referiu, por que tem contribuído para “uma mudança da imagem do país no mundo”, o que em sua opinião “tem um valor imaterial”.

Também a recentemente eleita presidente da Câmara Municipal de Matosinhos, Luísa Salgueiro, tinha apelado momentos antes ao primeiro-ministro para que o Governo não deixe de olhar e de apoiar a Casa da Arquitetura, encarando este equipamento nacional “feito exclusivamente com fundos municipais e comunitários” como o “Centro Português da Arquitetura”.

AUTOR

Rui Solano de Almeida

DATA

16.11.2017

Capa Edição Papel
 
EDIÇÃO Nº1413
Maio 2019