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22 Abr 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Comissão Nacional do PS
Mobilização para defender o projeto europeu
AUTOR

Rui Solano de Almeida

DATA

11.03.2019

FOTOGRAFIA

jorge ferreira

Mobilização para defender o projeto europeu

A Europa está hoje “sob forte ataque das forças extremistas”, alertou no passado sábado, durante a Comissão Nacional do PS, o Secretário-geral socialista, tendo aconselhado à “mobilização para defender o projeto europeu.

 

Numa intervenção onde começou por fazer uma distinção entre as políticas defendidas pelo PS para a Europa e as preconizadas pelos restantes partidos políticos nacionais, António Costa alertou que a Europa está a ser vítima de “ataques por parte de forças antieuropeias”, prevenindo para a necessidade de haver uma maior mobilização de todos os portugueses em prol dos seus próprios interesses e da continuação e renovação do projeto europeu.

Recorrendo às posições recentemente assumidas pelo Presidente francês, Emmanuel Macron, divulgadas em vários órgãos da comunicação social dos Estados-membros da União Europeia, o líder socialista criticou fortemente os partidos políticos portugueses que defendem a saída de Portugal da zona euro, lembrando que o caminho, pelo contrário, como sustentou, passa por seguir em frente, garantindo que fora da Europa Portugal não andaria para a frente, mas certamente - e muito - para trás.

Para António Costa, é preciso que todos mantenham a memória fresca e atualizada, e se recordem do progresso que o país tem tido desde que aderiu em 1986 à então Comunidade Económica Europeia (CEE), lembrando que o PS “é mesmo o partido mais europeísta em Portugal”. Razão que determina, como acrescentou, que os socialistas portugueses não deixem para terceiros a defesa da Europa, quer dos ataques externos, daqueles que “querem promover as guerras comerciais”, quer dos ataques internos vindo de dentro da própria Europa que querem “pôr em causa os valores democráticos com soluções autoritárias”, dando neste último caso os exemplos dos governos da Hungria e da Polónia.

Mas para que se possa de forma consistente defender a Europa e abrir novos caminhos de esperança e de qualidade de vida aos cidadãos europeus, “é também preciso que a Europa mude”, defendeu ainda o Secretário-geral do PS, respondendo de “forma positiva aos anseios dos cidadãos e aos medos que ainda subsistem sobre o futuro”, garantindo que o PS se assume contra “a Europa do pensamento único”.
O que abre a perspetiva, em sua opinião, de que votar no PS “não é a mesma coisa” do que votar nos partidos à sua direita ou à sua esquerda, justificando que o PS “sabe escolher entre as diferentes opções” que estão hoje sobre a mesa em relação à construção europeia.

Quanto à tese sustentada por alguns Estados-membros mais ricos da União Europeia, de que a ênfase deve ser posta na prioridade de se criarem mais empregos nas economias mais dinâmicas, compensando os países com economias mais débeis com a liberdade de circulação para quem não encontra trabalho nestes países, António Costa rebateu este princípio, sustentando que, para além da liberdade de circulação, tem igualmente que existir “oportunidade de emprego em todos os Estados-membros e não apenas nos mais dinâmicos”, lembrando que está contra a “concorrência desleal quer no plano fiscal entre os diversos países que integram a União Europeia, quer contra o protecionismo europeu no plano da inovação tecnológica”.

 

Pedro Marques: Debates “no tempo certo” e com propostas

O cabeça de lista do PS defendeu, por sua vez, que os debates para as eleições europeias devem ter lugar “no tempo certo”, quando todos os partidos apresentarem as respetivas listas e tiverem propostas para debater perante os portugueses.

Em resposta à inquietação que tem sido manifestada pelo cabeça de lista do PSD, Pedro Marques sublinhou que, neste momento, e face à ausência de propostas conhecidas por parte dos social-democratas, não tem “nada para debater com o candidato da direita”, lamentando ainda que Paulo Rangel esteja a fazer uma campanha que se limita a “dizer mal de tudo o que se passa em Portugal”.

“Teremos muito tempo para debater entre candidaturas, isso é próprio do processo democrático, mas gostaríamos que este impulso que tivemos de apresentar propostas concretas para a Europa fosse seguido pelas outras candidaturas. De facto, não queremos uma pré-campanha de calúnias e de falsidades, tal como tem acontecido em particular do lado da direita”, apontou.

Pedro Marques voltou ainda a evidenciar que a equipa que o PS apresenta a estas eleições contrasta, de forma clara, com os “rostos e protagonistas do passado” que são patentes, não só da parte dos partidos da direita, PSD e CDS, mas também nos cabeças de lista de BE e PCP.
“A generalidade dos partidos com assento no Parlamento Europeu optou por candidatar os mesmos do passado, como se, de cinco em cinco anos, vissem aqui a Portugal e fossem depois mandados para a Europa. O PS optou antes por renovar a candidatura de forma muito intensa, quer do cabeça de lista, quer da quase totalidade da restantes lista”, contrapôs.

“Sobretudo do lado da direita encontro não só protagonistas do passado, mas também os mesmos que defenderam a ideia de que Portugal estava a caminho de um quarto resgate financeiro, precisamente quando se estava a tentar colocar o país fora do Procedimento por Défice Excessivo. Isto aconteceu de facto com Paulo Rangel e Nuno Melo”, lembrou.

“Temos de denunciar estas escolhas, porque as do PS são muito diferentes”, acrescentou.

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EDIÇÃO Nº1412
Fevereiro 2019