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06 Dez 2019

| diretora: Edite Estrela

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Défice desmascara ilusionismo da coligação
Os resultados deste Governo foram uma fraude
AUTOR

J. C. C. B.

DATA

24.09.2015

FOTOGRAFIA

Paulo Henriques

Os resultados deste Governo foram uma fraude

“Os resultados deste Governo foram uma fraude e já não há mentira que disfarce essa fraude”, afirmou ontem o Secretário-geral do PS, António Costa, que acusou Passos Coelho e Paulo Portas de formarem uma “dupla de ilusionistas” que foi “desmascarada” com o aumento do défice para 7,2%.

 

António Costa falava no jantar-comício do PS em Vila do Conde, onde voltou a referir-se aos dados divulgados nesse dia pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) sobre a evolução do défice em Portugal que disparou para 7,2%. “Em terra de pescadores é caso para dizer que ‘pela boca morre o peixe’”, disse.

António Costa desmascarou o argumento agora invocado pelos líderes da coligação PSD/CDS, segundo o qual o acréscimo do défice afinal resultou de “um registo contabilístico” para acomodar a verba transferida pelo Estado para o Novo Banco.

“Então também não era um mero registo contabilístico quando os nossos défices aumentaram porque tivemos de registar os submarinos que Paulo Portas comprou? E não era um mero registo contabilístico quando tivemos de mobilizar dinheiro para estabilizar o sistema bancário, depois das brincadeiras e roubalheiras dos amigalhaços do BPN?”, questionou o líder socialista.

Na sua intervenção, António Costa não poupou a “dupla Passos/Portas”, referindo que o primeiro-ministro deu uma ajudazinha ao “embuste” da desvalorização do aumento do défice em 2014, ao alegar que o Estado até recebe 120 milhões de juros com a operação financeira.

“Mas quem quer Passos Coelho enganar? Quer que o país se esqueça que o dinheiro que meteu no BES é dinheiro que pediu emprestado e sobre o qual está a pagar juros. E que o Estado não está a fazer qualquer negócio, mas, antes a gastar o nosso dinheiro, o dinheiro dos contribuintes, para salvar um banco?”, perguntou.

 

Os ilusionistas Passos e Portas

O Secretário-geral do PS lembrou que, ainda no início deste mês, “quando o Governo tinha a expetativa de que nos ia enganar com uma venda à pressa do Novo Banco, dizia que era preciso vender rápido para não desvalorizar e para estabilizar o sistema financeiro”, mas agora, frisou, “perante o fracasso, dizem que afinal não há pressa. É preciso muita lata”.

António Costa acusou a “dupla Passos e Portas” de parecer uma “dupla de ilusionistas que, por palavras mágicas, transformam em mentira o que é verdade e em verdade o que é mentira”.

“Mas estão enganados e foram desmascarados com os dados do INE”, disse, defendendo que o Programa de Estabilidade apresentado pelo Governo em Bruxelas tem agora a sua credibilidade “ferida”, tendo “ruído como um castelo de cartas”.

Antes, o histórico autarca socialista de Vila do Conde, Mário Almeida, defendeu que nas legislativas de 4 de outubro se definirá “o destino, o futuro” de Portugal e que PSD e CDS/PP não podem ser premiados continuando à frente dos destinos do país.

“Como é que é possível que essa gente possa ser premiada e ganhar de novo as eleições?”, questionou, lembrando, a propósito, o aumento para 7,2% do défice orçamental.

 

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EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019