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15 Out 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Fernando Medina
Lisboa em Boas Mãos
AUTOR

J.C. Castelo Branco e André Salgado

DATA

06.04.2015

FOTOGRAFIA

CML

Lisboa em Boas Mãos

Hoje pelas 18h00, nos Paços do Concelho, Fernando Medina toma posse como presidente da Câmara Municipal de Lisboa. É um novo ciclo que se abre na capital, com o mesmo rigor, competência e qualidade de liderança. Lisboa fica em boas mãos.

 

Militante e dirigente nacional do PS, na juventude Medina foi líder associativo na Faculdade de Economia da Universidade do Porto (FEP). Luísa Arroz Albuquerque, da Associação de Estudantes da FCSH da Universidade Nova de Lisboa, e Pedro Galego, da FEP, foram seus contemporâneos no movimento associativo estudantil num tempo muito marcado pela luta contra as propinas, quando já então se adivinhavam as suas qualidades de liderança e a sua capacidade para dialogar e fazer sínteses construtivas.

 

Capacidade de construir consensos

A forma marcante como Fernando Medina “revolucionou a Federação Académica do Porto, transformando-a numa verdadeira federação de estudantes, com valores”, é uma das recordações mais impressivas de Pedro Galego, vincando ainda o rigor que foi implementado na “reestruturação da gestão, até então deficitária, da Queima das Fitas”. Já Luísa Arroz Albuquerque lembra “uma voz que era respeitada” no universo dos estudantes do ensino superior dos anos 90. E isto porque, frisa, “era capaz de construir consensos dentro das grandes divergências políticas que se viviam então no movimento associativo dos estudantes, mas sem nunca abdicar das suas posições de princípio”.

A educação foi desde cedo uma paixão e o tema das qualificações marcou o início da sua vida académica e profissional, convicto que estava, como está hoje, de que esse é um fator decisivo para o desenvolvimento do país. Este economista, hoje com 42 anos, chega a Lisboa em 1999 para trabalhar no Ministério do Trabalho e Solidariedade, tendo sido nomeado no ano seguinte assessor para os assuntos da educação do então primeiro-ministro António Guterres.

 

Uma visão ampla da economia

Augusto Santos Silva, então ministro da Educação, testemunha uma faceta menos conhecida de Fernando Medina, mas não menos reveladora da sua personalidade. “Acontece que fomos contemporâneos na Faculdade de Economia do Porto, na transição dos anos 80 para os 90, quando o Fernando aí fez a sua licenciatura em Economia. Não fui seu professor, mais conheci-o bem do ambiente da escola e do movimento estudantil, de que era um dos dirigentes. Ora, quer na licenciatura, quer no mestrado (que fez depois em Lisboa), a sua compreensão da economia foi sempre como uma ciência social”. O que, segundo Augusto Santos Silva, “quer dizer duas coisas: que deve dialogar com outras, como a história ou a sociologia; e que deve estudar problemas concretos das sociedades, e não formalismos abstratos mais ou menos imaginativos”. Depois, acrescenta, “sempre que colaborámos ao longo da vida profissional e política - e tem sido frequente isso acontecer - pude sempre constatar que essa visão ampla e ligada ao concreto da economia nunca o abandonou. Eis uma grande qualidade, que, acreditem-me, lhe vai valer de muito, como presidente da Câmara Municipal de Lisboa”.

 

Aposta na educação e qualificação

Inscreve-se no PS após a derrota nas legislativas de 2002, altura em que ingressa nos quadros da atual AICEP onde trabalhou com Miguel Cadilhe. Após a maioria absoluta do PS em 2005, em cuja campanha colaborou ativamente, toma posse como secretário de Estado do Emprego e Formação Profissional. Pedro Galego, que o acompanhou nesta equipa, destaca “o amor que Medina dedicou ao programa Novas Oportunidades”. Trazer os adultos de volta à escola, valorizando as pessoas pela aprendizagem, recorda, “foi um dos projectos mais aliciantes que com ele pude partilhar”.

O contributo para importantes acordos em sede de concertação social, nomeadamente na área da formação, granjeia-lhe o respeito de muitos parceiros sociais, que o viriam a reencontrar no Governo seguinte no Ministério da Economia como secretário de Estado Adjunto e da Indústria. Francisco Van Zeller, antigo presidente da CIP, não lhe poupa elogios. “Apesar de muito jovem, Fernando Medina tem a maturidade que qualquer negociador ambiciona encontrar à sua frente: compreensão rápida dos problemas, capacidade de diálogo e vontade de encontrar soluções. A Confederação da Indústria Portuguesa tirou proveito de tão excepcionais qualidades quando eu fui presidente e ele secretário de Estado do Emprego.”

 

A reforma administrativa de Lisboa e a paixão pela cidade

Em 2011, foi pela primeira vez porta-voz e cabeça de lista pelo PS, em Viana do Castelo, e entre 2012 e 2013 foi no Parlamento e no espaço público uma das vozes mais críticas do caminho de austeridade seguido pelo governo da direita. Fernando Medina é reconhecidamente um político de ação e foi com naturalidade que voltou ao exercício de cargos executivos, desta feita como vice-presidente da Câmara Municipal de Lisboa, com os pelouros das Finanças, Recursos Humanos e Turismo. Nessa qualidade teve a seu cargo a conclusão do processo de descentralização de competências e recursos para as freguesias, a maior operação de descentralização no país desde 1976. Foi já com Medina à frente das finanças e do turismo que estas áreas mostraram excelentes resultados: baixou a dívida da Câmara, ao mesmo tempo que se atingiu o quase pronto pagamento; e Lisboa foi a cidade com maior crescimento de dormidas na Europa.

Rigor, competência e atenção, fatores fundamentais para a vida das pessoas, são qualidades que todos lhe reconhecem. Duarte Cordeiro, vereador da Câmara de Lisboa, destaca as “qualidades de liderança” demonstradas por Fernando Medina durante o período em que assumiu a vice-presidência do município, nomeadamente na gestão de dois importantes dossiês como a reforma administrativa da cidade e o reequilíbrio financeiro da autarquia.

O também presidente da Concelhia de Lisboa do PS sublinha ainda que Fernando Medina “é um apaixonado pela cidade” e uma pessoa “muito cuidadosa, com forte espírito de equipa e de entreajuda”.

Este mandato seria sempre, por força da lei, o último mandato de António Costa e, como tal, um mandato de transição. A transição começa hoje e, como disse António Costa, Lisboa está em boas mãos.

AUTOR

J.C. Castelo Branco e André Salgado

DATA

06.04.2015

Capa Edição Papel
 
EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019