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17 Out 2019

| diretora: Edite Estrela

EDIÇÃO DIGITAL DIÁRIA DO ÓRGÃO OFICIAL INFORMATIVO DO PARTIDO SOCIALISTA

Aniversário do Instituto Camões
Melhor perceção da cultura significa maior competitividade da economia
AUTOR

Rui Solano de Almeida

DATA

01.03.2019

FOTOGRAFIA

dr

Melhor perceção da cultura significa maior competitividade da economia

É considerável o número de países em todo o mundo que formam a Comunidade de Países de Língua Portuguesa. Uma comunidade que pensa e se exprime em português em Macau, hoje território chinês, em Goa, na Índia, em África, em Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe, no Brasil, em Timor-Leste e na Europa em Portugal e nas ilhas da Madeira e dos Açores.

 

Daí a importância que o primeiro-ministro atribui ao papel resgatado pelo Instituto Camões nos vários territórios onde está inserido, considerando a sua missão “cada vez mais exigente” e necessária, uma tarefa que para António Costa é hoje acrescida pelo facto de existir uma “expansão demográfica” de falantes de língua portuguesa que se regista, nomeadamente, quer em África, quer um pouco por todo o continente americano.

O primeiro-ministro falava hoje na sessão de encerramento do 90º aniversário do Instituto Camões, garantindo que estas nove décadas foram uma viagem que “iremos prosseguir cada vez como maior exigência”, mostrando-se convicto que o futuro da língua portuguesa está assegurado pelo “crescimento demográfico daqueles que nasceram e cresceram a aprende a ensinar e a falar português”.

Na sua intervenção o líder do Executivo, que estava acompanhado pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e pelo escritor e destacado militante socialista, Manuel Alegre, teve ainda ocasião para defender que só apostando mais a nível internacional na divulgação da língua e da cultura portuguesa o país poderá ambicionar recolher “bons resultados no campo da internacionalização da sua economia”.

 

Língua veículo cultural

A língua portuguesa, sustentou António Costa, para além de ser seguramente um “veículo da internacionalização da nossa cultura”, é também, como adiante reforçou, portadora de uma mensagem internacional da “nossa ciência e da nossa economia”, referindo que a mais-valia de cada produto ou serviço produzido ou prestado em Portugal por uma empresa nacional, será “tanto maior quanto maior for a perceção que se tiver da nossa cultura”.

A este propósito, António Costa deu dois exemplos, como poderia ter dado outros, do calçado italiano e das máquinas alemãs, referindo que existe uma relação indesmentível e óbvia entre o reconhecimento que existe no mundo sobre o valor atribuído à cultura e à ciência destes dois países e a qualidade dos produtos e serviços que prestam.

É por isso, como acrescentou, que de pouco valem as análises e as visões estritamente economicistas no que respeita às condições de competitividade global, defendendo que é pela língua e pela cultura ‘lato sensu’ intrínseca a Portugal que o país se deve apresentar também do ponto de vista económico, defendendo a este propósito António Costa que “não há dois caminhos distintos”, já que “não é possível haver uma diplomacia económica com valor se não houver uma língua e uma diplomacia cultural”, justificando aqui o trabalho “essencial” protagonizado pelo Instituto Camões.

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EDIÇÃO Nº1414
Agosto 2019